Filósofo Luc Ferry faz tremer quem diz que gosta mais dos bichos do que das pessoas - UOL

Filósofo Luc Ferry faz tremer quem diz que gosta mais dos bichos do que das pessoas  UOL

Filósofo Luc Ferry faz tremer quem diz que gosta mais dos bichos do que das pessoas - UOL

Vemos os humanos se mobilizando para salvar focas e baleias, mas nunca vimos o inverso , diz o filósofo Luc Ferry ao criticar os que animalizam os humanos e humanizam os animais e, assim, tentam apagar a especificidade humana, tão cara aos pensadores humanistas, que sublinham a liberdade e as histórias cultural e política como exclusivamente nossa.

Eu vou esperar que os animais tenham bibliotecas e escolas para os considerar como irmãos , completa o francês, em conversa por email, para fazer tremer os que usam máximas como gosto mais de bicho do que de gente .

A crítica à indiferenciação entre animalidade e humanidade é um dos temas presentes em seu recente livro Les Sept Écologies , ou as sete ecologias, lançado na França no ano passado. Nele, o escritor best seller elenca as grandes correntes da ecologia política, ataca veganos, os fundamentalistas verdes , a ideologia do decrescimento, os seguidores de Greta Thunberg, e defende o ecomodernismo.

Essa corrente sustenta uma ecologia liberal, não hostil ao consumo, preconizando crescimento econômico sem destruição do planeta com investimento em novas tecnologias. A inovação pode tornar crescimento, desenvolvimento e ecologia compatíveis , diz ele.

Ferry vai ao Brasil no mês que vem justamente para falar de tecnologia, em conferência no Fronteiras do Pensamento, em São Paulo e em Porto Alegre. O autor de Aprender a Viver Filosofia para os Novos Tempos , lançado pela Objetiva, e especialista na filosofia alemã dos séculos 18 e 19 é um habitué do evento. Ele esteve presente na primeira edição, há 15 anos, e, depois, em 2011, em 2015 —numa série especial em Salvador, e em 2019.

O filósofo francês Luc Ferry, que fala em 19 de setembro. Wikipedia Wikipedia

A cientista brasileira Natália Pasternak, que fala em 8 de agosto. Wikipedia Wikipedia

O professor americano Steven Johnson, que fala em 12 de setembro. Divulgação Divulgação

A psicanalista francesa Élisabeth Roudinesco, que fala em 17 de outubro. Flickr Fronteira Flickr Fronteira

O cientista brasileiro Marcelo Gleiser, que fala em 7 de novembro. Divulgação Divulgação

O pesquisador americano Stuart Firestein, que fala em 8 de agosto. Divulgação Divulgação

O escritor francês Frédéric Martel, que fala em 29 de agosto. Divulgação Divulgação

O neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, que fala na edição online do evento. Luiza Mugnol Ugarte Luiza Mugnol Ugarte

A geneticista brasileira Mayana Zatz, que fala na edição online do evento. Divulgação Divulgação

Ferry é um dos nomes mais populares e midiáticos entre os intelectuais da direita francesa, é colunista do jornal conservador Le Figaro e foi ministro da Educação entre 2002 e 2004, quando apresentou ao então presidente Jacques Chirac a ideia da proibição de símbolos religiosos nas escolas, que se tornaria lei em 2004 e incendiaria o debate francês sobre o véu usado por mulheres muçulmanas.

Foi uma fala do francês que inspirou o organizador do Fronteiras, o cientista político Fernando Schüler, a escolher o tema da série de palestras deste ano, Tecnologias para a Vida . Segundo a fala de Ferry, a revolução da inteligência artificial, tema ao qual tem se dedicado na última década, terá um impacto maior em nossa vida do que as revoluções industriais anteriores.

Ele conta que se interessou pela IA e vem acompanhando e ajudando a divulgar o trabalho de cientistas nessa área em suas intervenções públicas, porque nós, e sobretudo nossos filhos, vamos viver num mundo que não terá mais nada a ver com o nosso .

As leis da robótica, de Isaac Asimov, em 1942 texto de ficção pensa em regras para proteger humanos dos robôs. Reprodução

Artigo de Alan Turing, em 1950 em “Computadores e Inteligência”, o matemático inglês discute se máquinas podem pensar e propõe um teste para verificar a existência de consciência em computadores. AFP Sherborne School

Estudo em Dartmouth, em 1955 estudo proposto por especialistas usa o termo “inteligência artificial” pela primeira vez; ideia era se reunir por dois meses na Faculdade Dartmouth, nos EUA, para tentar aplicar IA. Reprodução

Invernos depois dos seus anos iniciais e novamente nos anos 80, a IA viveu períodos em que a decepção do público com o que a tecnologia realmente estava entregando fizeram com que investimentos no setor fossem cortados, e a área ficasse de lado. AFP JOSEPH PREZIOSO

Sistemas especialistas tiveram tração nos anos 70, são sistemas altamente especializados em uma tarefa, como no piloto automático de avião, mas eram difíceis de serem criados. REUTERS JOSHUA ROBERTS

Deep Blue derrota Kasparov, em 1997 computador da IBM derrotou o enxadrista, então campeão mundial, Garry Kasparov. Divulgação

AlphaGo, em 2016 IA da Google derrota Lee Sedol, campeão mundial do jogo de tabuleiro japonês Go, mais complexo do que xadrez. Xinhua Yao Qilin

O ex ministro tem defendido uma mudança no ensino que leve em consideração tais transformações. As crianças devem ser formadas ao espírito crítico e à lógica da argumentação, pois essa será a única barreira sólida contra o mundo que está vindo, no qual será difícil diferenciar o virtual do real e as ‘fake news’ da verdade , diz. O filósofo, porém, não acredita na possibilidade de uma inteligência artificial autoconsciente e deplora os que a aventam como forma de amedrontar as pessoas.

Além do impacto na proteção do planeta, o uso de novas tecnologias na longevidade humana tem atraído Ferry, que defende o chamado projeto trans humanista, que, como ele gosta de frisar, não visa prolongar a velhice, mas sim a juventude, ou seja, aumentar, graças ao avanço da biologia e da inteligência artificial, os anos de vida dos humanos com saúde e disposição física.

Ele opõe a sua visão a uma visão naturalista da existência humana, que herdamos, diz, dos antigos, em particular do estoicismo e do budismo, para quem devemos nos resignar à ordem natural das coisas. Hoje, ecologistas e adeptos da psicologia positiva nos aconselham a nos voltarmos aos ensinamentos da natureza em vez de aos artifícios da tecnociência; o objetivo não é viver mais, mas viver bem, ou seja, em harmonia com a ordem do mundo.

Se os ideais de uma perfectibilidade indefinida e de uma educação ao longo de toda a vida são próprios ao humano, se a busca por uma vida melhor para si e para os outros não tem porquê parar, a velhice é um problema , diz Ferry, que tem 71 anos, ao explicar seu desacordo. Morrer aos dez, aos 40 ou aos cem não é indiferente, pois o fato de pertencermos mais à história do que à natureza nos transforma sem parar.

A atriz e ativista Lucélia Santos, 64, virou vegana e lê os rótulos dos produtos que consome. Divulgação

A aposentada Eulália Domingues Xavier, 66, considera uma libertação ter parado de pintar o cabelo. Arquivo pessoal

A escritora e autora de telenovelas Duca Rachid, 61, assinou plataforma de streaming alternativo na pandemia e pensa em mudar para a praia. Folhapress

A diretora de escola aposentada Arlete Maria Caron Gutierrez, 72, gosta de viajar; na pandemia, ela visitou cidades brasileiras. Divulgação

O professor aposentado Sérgio Crivelari descobriu a tecnologia e até cogita fazer cartão de crédito. Arquivo pessoal

A dona de casa Ida da Silva Bazoli, 75, começou a fazer aulas de teatro online durante a pandemia. Arquivo pessoal

O cantor Zé Alexanddre, 63, vencedor do The Voice em 2021, mudou hábitos de alimentação e não liga mais para carne. Arquivo Pessoal

A pedagoga Roseli Almeida Alves, 67, quer manter estilo próprio e diz que uso o que lhe dá liberdade. Arquivo Pessoal

Do idealismo alemão de seus primeiros anos de estudos à inteligência artificial, Ferry se atém a Hegel, para quem, lembra, a tarefa primeira da filosofia é pensar sua época, entender seu tempo .



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